Mania de Esmalte

Óleos que curam

Extraídos de partes das plantas, podem ser usados das mais diferentes maneiras

Da apatia a dor de garganta. Muita coisa pode ser melhorada com o uso correto dos óleos essenciais, peças-chave da aromaterapia, o braço da fitoterapia que se vale dessas preciosas essências para tratamento de problemas físicos e emocionais. A International Standard Organization (ISO) define os óleos essenciais como produtos obtidos de diferentes partes de plantas aromáticas por meio de distintos métodos de extração.

Esses métodos, são utilizados de acordo com a parte da planta a ser trabalhada – flor, folha, raiz, fruto, casca ou caule. O método mais tradicional é a destilação par arraste com vapor d’água. Nesse método, a parte da planta escolhida é aquecida na água e o vapor produzido libera o óleo essencial. Em seguida, as moléculas aromáticas passam por uma serpentina resfriada, onde são condensadas e separadas por decantação.

Remédio natural

O resultado de todo esse trabalho são óleos muito aromáticos com funções terapêuticas bem específicas. Alguns óleos essenciais, como o óleo de camomila, de erva-doce ou de sálvia, são bons contra cólicas. Outros têm ação digestiva, como hortelã, melissa, gengibre ou zimbro. Há também aqueles que acalmam as angústias, como lavanda francesa e geranio roseum. E ainda aqueles que regulam o ciclo menstrual, como óleo essencial de canela ou de açafrão, que agem diretamente sobre o músculo do útero. Estes dois últimos, porém, não devem ser usados por gestantes porque podem provocar aborto.

Aliás, essa é uma ressalva importante. Mesmo sendo natural, os óleos essenciais não estão isentos de contraindicações. E seu uso deve ser feito com cautela, principalmente em bebês, idosos, animais e gestantes. Eucalipto citriodora, gengibre e tangerina, por exemplo, estão proibidos nos três primeiros meses de gestação.

Os óleos essenciais são substâncias altamente concentradas, portanto, muitas vezes, menos é melhor. Muitos, como lemongrass, canela e cravo, podem provocar irritação, ardência e vermelhidão, se aplicados puros sobre a pele. Para seu uso seguro, devemos diluí-los em óleo vegetal. Outros, como os cítricos, são fotossensíveis e, por isso, a pessoa não deve se expor ao sol por seis horas após sua aplicação direta sobre a pele. Alguns ainda provocam alergias. “Por isso, devemos sempre testar um óleo essencial que estamos usando pela primeira vez. Aplique três gotas do óleo essencial puro no antebraço e aguarde 30 minutos para ver se ocorre alguma reação. Se após esse tempo o antebraço teve alguma reação de ardência ou vermelhidão, não utilize o óleo essencial.

Aroma terapêutico

O segredo dos óleos essenciais está no aroma. “Cada óleo essencial possui entre dez a 500 moléculas aromáticas diferentes, em concentrações e especificidades e anti-inflamatória.

Para conseguir esses benefícios, tão importante quanto saber para o que serve o óleo que você tem em mãos, é fundamental usá-lo da maneira correta, como em uma massagem ou inalação.

Isso significa que, quando inaladas ou absorvidas pela pele, essas moléculas alcançam áreas do corpo onde está concentrada uma dor física ou uma área do cérebro relacionada a sensações de prazer e dor, emoções como raiva e medo e sensações sexuais. Assim, quando o aroma do óleo essencial chega ali, há uma ativação da memória e dos sentimentos que cria uma resposta emocional. Por isso, óleos essenciais como o de bergamota, por exemplo, ajudam a diluir sensações como medo e insegurança.

Do ponto de vista fisiológico, os bons entendedores dos óleos essenciais garantem que a ação deles é semelhante a de um medicamento. “O uso dos óleos essenciais auxilia o tratamento de problemas cotidianos individuais e da família, como gengivite, dor de dentes, micoses, cicatrização de ferimentos, gripes, alergias, sinusite, dermatites, dores de cabeça, dores musculares, insônia, exaustão nervosa, entre outras” elenca Luciane. Ela lembra ainda que esses óleos também podem ser usados como cosméticos, ajudando no combate a celulite e queda de cabelos, por exemplo. Isso porque, de acordo com as substâncias químicas presentes no óleo, ele tem ações analgésica, antibiótica, adstringente, cicatrizante, antimicrobiana.

Formas de uso

O modo como você vai usar o óleo é fundamental para o sucesso do tratamento. Adicionadas na água da banheira, três gotas do óleo essencial de cardamomo, por exemplo, podem ter uma temperatura entre 10 °C e 29 °C, característica dos banhos frios. “Esses banhos devem ser feitos pela manhã porque estimulam o metabolismo e aumentam a imunidade, mas não devem ser feitos por pessoas com problemas cardíacos ou pressão sanguínea alta”, aconselha Luciane. Os banhos moros, por sua vez, com temperaturas entre 29 °C e 36 °C, induzem ao relaxamento profundo, enquanto os banhos quentes, de 38 °C a 41 °C, auxiliam na desintoxicação com efeito sedativo e relaxante. Tanto no banho morno como no quente, você pode adicionar dez gotas de óleo essencial de lavanda ou seis gotas do óleo essencial de manjerona.

Outra forma de uso bem comum é a inalação, indicadas especialmente para problemas respiratórios e pulmonares, dores de cabeça e enxaquecas. Para esse uso, adicione de aito a 15 gotas do óleo essencial em uma bacia com água quente, cubra a cabeça com uma toalha grande e deixe que o vapor desobstrua os poros do rosto e as vias respiratórias superiores. As inalações podem ser realizadas de tres a quatro vezes por dia. E a pessoa não deve se expor ao frio nem ao vento depois dela, que recomenda para os problemas respiratórios os óleos essenciais de alecrim at cânfora e gt. cineol, anis-estrelado, bálsamo do Peru, benjoin, breu branco, cipreste, eucalipto globulus, lavandin, pinho da Sibéria, orégano e tomilho branco.

Indicações de alguns óleos essenciais

  • Banho de banheira afrodisíaco: cardamomo, gengibre, patchouli, pau-rosa, sandalo amyris e ylang-ylang.
  • Massagem para aliviar dor reumática ou muscular: alecrim qt. cânfora, bétula doce, breu branco, cipreste, copaíba destilada, gengibre, hortelã pimenta, lavanda, manjerona, noz-moscada, pimenta preta, tomilho branco e wintergreen.
  • Banho de banheira antidepressivo: alecrim qt cineol, breu branco, café torrado, grapefruit, ho wood, laranja, lavanda, lima mexicana, may chang, mentas, patchouli e petitgrain.
  • Aromatização de ambiente para fortificar a memória: alecrim gt cineole qt. cánfora, café torrado, hartelä pimenta, lemongrass, manjericão e menta brasileira.
  • Aromatização de ambiente contra insônia: bergamota, laranja doce, lavanda francesa, lemongrass, lima mexicana, manjerona, olíbano, petitgrain e ylang-ylang
  • Inalação calmante: bergamota, breu branco, laranja (amarga e doce), lavanda francesa, lima mexicana, manjerona, may chang, mirra, olibano, petitgrain e sálvia scarea.
  • Massagem relaxante: camomila romana, bergamota, breu branco, grapefruit, ho wood, laranja, lavanda francesa, lima mexicana, manjerona, may chang, olíbano, palmarosa, petitgrain e ylang-ylang.

Compra e armazenamento

Outros cuidados que você deve ter com os óleos essenciais são na hora da compra e na maneira como vai guardá-los em casa. A primeira dica é não adquirir um óleo essencial vendido em embalagem transparente, porque esses produtos são muito sensíveis ao ar, à temperatura e ao calor. Se expostos a esses fatores, suas propriedades terapêuticas não serão as mesmas.

“O óleo deve ser conservado em frascos de vidro cor ámbar (mais comum) ou azul-cobalto. Em casa, guarde-o em local fresco onde não haja claridade, longe do alcance das crianças.” Além disso, aponta a terapeuta Mari Gema Fontelles De La Cruz, autora da tese O uso de óleos essenciais na terapêutica, raramente os óleos essenciais possuem cores fortes, se você observar isso, é porque foram adicionados corantes. Lembre-se: um óleo essencial não deve conter substâncias sintéticas na sua composição. “A maioria dos óleos essenciais apresenta cores que vão além do transparente e do amarelo -claro, com algumas exceções. O óleo de camomila, por exemplo, apresenta coloração azulada. Os óleos de tangerina, laranja e orégano têm a cor alaranjada. Os óleos de patchouli, casca de canela e vetiver são marrons; no caso do cedro de Himalaia e do óleo de bergamota, a cor é esverdeada.

O odor do óleo também funciona como indicador da sua qualidade. Se você sentir vagamente cheiro de álcool ou de óleo vegetal, como milho e girassol, significa que ele foi adulterado e não deve ser utilizado. “Caso o óleo essencial venha diluído, por ser muito caro, como o óleo de rosas, essa informação deve ser informada na embalagem.” No rótulo, você também deve encontrar o nome do fornecedor, o nome científico da espécie, o país de origem, a concentração do óleo, o método de extração, a data de envasamento e de validade.

Desconfie também do preço muito baixo. Por ser necessário uma grande quantidade de matéria-prima para obter o óleo essencial – para conseguir um litro de óleo de Eucaliptus globulus, precisa-se de cerca 30 kg de folhas da planta, alguns deles, como o óleo essencial de jasmim orgânico usado como sedativo, chegam a custar mais de R$350 a embalagem de 5 ml. “Óleos essenciais têm custo superior ao dos óleos sintéticos. A variação do preço de um óleo essencial depende também do teor de óleo que a espécie apresenta e, consequentemente, seu rendimento durante o processo extrativo”, explica Mari. Não é errado dizer que os óleos essenciais são como perfumes grifados, porque, quando naturais de verdade, seu delicioso aroma se fixa por bastante tempo na pele.

Cada óleo essencial tem ação bem específica, alguns são calmantes enquanto outros, revitalizantes.

Os óleos essenciais são usados principalmente pela aromaterapia, considerada um braço da fitoterapia. O termo foi criado pelo químico francês René Maurice Gattefossé, nos anos de 1920, que estudou as diferentes ações dos óleos essenciais sobre o ser humano. O uso de óleos extraidos de plantas, porém, é muito mais antigo do que isso. Na India, por exemplo, escritos em sánscrito do ano 2 mil a.C., descrevem técnicas rudimentares utilizadas pelos hindus para obtenção de produtos destilados de mais de 700 espécies vegetais.

Julia

Meu nome é Julia, Mãe, Empreendedora e acima de tudo Mulher, já passei dos 30 e adoro o universo feminino.

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